Nicolas Mastracchio

03 ABRIL 11 MAIO

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Nicolas Mastracchio

Abertura

Terça-feira 02 de abril de 2013 19h

Período expositivo

03 de abril a 11 de maio de 2013

Horário de visitação

Para onde foi o que já não está?

Por Verónica Flom e Eduardo Navarro

O rastro de uma folha molhada cria uma geometria sutil e estranha. Juntos, uma traça e um par de óculos escuros se tornam objetos futuristas. A forma de um cabo de computador pode ser tão fugaz quanto a caveira de uma vanitas. Com muito poucos elementos, as imagens de Nicolás Mastracchio transcrevem estados mentais abstratos. Assim como a capa de um livro de ficção científica de Ray Bradbury, suas composições remetem a um espaço longínquo, a um tempo que ainda não existe e que um dia chegará. Como se fosse o reflexo de uma árvore em um lago calmo, o que vemos e o que é se tornam confusos em suas obras.

Para materializar cada tomada Mastracchio deve se conectar com a natureza dos objetos que utiliza. Nesse tempo de preparação da cena ele os domina, como alguém que é capaz de dobrar uma colher com a mente. O sólido se torna relativo. As cenas têm tanto componentes da observação como de um falso acaso meticulosamente estudado. Nada é errático, e, não obstante, em sua totalidade, cada componente assume um caráter ambíguo.

O tempo que a água tarda em evaporar e a manteiga em derreter permite captar a possibilidade de uma mudança de estado. E nessa possível transformação que só o tempo gera nos objetos aparece o feitiço de todos os fenômenos físicos. Como fantasmas, esses fenômenos deixam ao passar um rastro, uma pegada. A ausência assume um papel de protagonismo, o que vemos é aquilo que sobrou.

A obsessão pelas formas é uma constante. Nas imagens que obtém o familiar se torna desconhecido. Os objetos adquirem protagonismo e um ar reminiscente das composições surrealistas. As fotografias de Mastracchio, embora não pareça, são realizadas com tomadas diretas e sem manipulação digital, e fazem eco aos famosos raiogramas de Man Ray: a técnica como desculpa para se acercar da singularidade dos objetos simples, para levar os objetos cotidianos a um plano irreal.

É claro, segundo Barthes, que a fotografia sempre está relacionada à ausência. Se as teorias da imagem questionavam a fotografia entre o esforço de documentar e o de construir a realidade, as fotos de Mastracchio estão bem entre um e outro. A superposição de duas regras, em que uma assimetria transforma o conhecido em um objeto estranho, é o que faz dessas imagens algo inquietante e espectral. O que escolhe nos mostrar e não mostrar? Para onde foi o que já não está? O que acontecerá com os objetos?