MONTEZ MAGNO

POEMATA (É TUDO POESIA)

30 MARÇO 28 MAIO

MONTEZ MAGNO

Abertura

Terça-feira 29 de março de 2016 19h

Período expositivo

30 de março a 28 de maio de 2016

Horário de visitação

terça à sexta das 11 às 19h.

sábados das 11 às 17h.

Poemata (é tudo poesia)
A presente exposição de Montez Magno, artista pernambucano nascido em 1934, traz uma rigorosa seleção de mais de quarenta peças produzidas de 1957 (data de sua primeira individual no Instituto de Arquitetos do Brasil, Recife) até hoje, mostrando quase sessenta anos de investigação em linguagens artísticas a partir de diversos suportes.
Com curadoria da crítica de arte Lisette Lagnado, que já havia destacado o pensamento espacial de Montez Magno no Panorama de Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo (2013), principalmente estudos e maquetes para cidades imaginadas, "Poemata" é a segunda mostra individual do artista na Galeria Pilar, após a importante exposição intitulada "Galáxia", organizada por Clarissa Diniz em 2012.
Desta vez, a mostra retoma e aprofunda as inflexões poéticas do artista, aspecto menos conhecido do público, a fim de evidenciar um diálogo entre escritura e pintura, "cartas celestes" e poemas.
É certo que a definição de poesia no contexto de um artista que atravessou as décadas do concretismo e neoconcretismo no Brasil não poderia ficar restrita à linguagem verbal. A dimensão da poesia, para Montez Magno, se expande no espaço e revela sua relação íntima com a música. Dono de uma poderosa voz tenor, Montez Magno desenvolveu a partir de 1972, ainda residindo em Olinda, uma série imensa de desenhos sobre partituras. Por conta de um período que o deixou acamado, o artista teve naquele ano uma produção prolífica.
A escrita acompanha a vida do artista de tal maneira que vem guardando extensa correspondência travada com interlocutores próximos e distantes - Ivan Junqueira, Theon Spanudis e Osman Lins, entre outros. Como poeta, Montez Magno escreveu 12 livros, tendo publicado 11 - todos como editor independente. Suas duas primeiras coletâneas - A Ronda dos ciclos e Os Cantares de Olinda - remontam aos anos 1950, mas foram ambas destruídas pelo próprio autor. Os motivos desse ato permanecem vagos, porém o artista segue registrando ambos os títulos na sua lista de publicações.

A exposição que abre ao público dia 30 de março procura estabelecer relações não hierarquizadas entre dois regimes de criação, desenhando suaves transições com obras de diversas naturezas (por exemplo, uma pintura e uma partitura, um desenho e um poema), assim como são suaves as linhas que aparecem no espaço branco do suporte (papel, tela ou isopor).
Com linhas ora verticais, ora horizontais, remetendo às pautas de um caderno, as obras escolhidas evidenciam uma espécie de leitmotif no vocabulário do artista, independente do suporte escolhido.
Cabe observar a profunda coerência desses trabalhos, unidos por uma afinidade formal embora com intenções diversas. Em visita ao amplo estúdio onde o artista reside no bairro Casa Forte em Recife, abarrotado de livros e objetos, Lagnado encontrou uma série inédita, datada de 1994, que homenageia a pintora Agnes Martin (1912 - 2004).
O pastel seco usado diretamente sobre a tela que vemos na exposição de Montez Magno era também uma técnica utilizada por Martin. No entanto, a série em homenagem à artista de origem canadense foi executada sobre isopor, enquanto as linhas traçadas sobre a tela foram agrupadas em "sinfonias", o que permite pensar que a música está presente em ambas as séries.
Acompanhar a extensa trajetória de Montez Magno significa uma aventura erudita que abrange frequentes homenagens a poetas e artistas (Van Gogh, Malévitch, Mondrian, Morandi, Beuys são apenas alguns). Permite pensar também o quanto a vida fora dos centros de circulação de cultura até a virada do milênio representou para toda uma geração de artistas do nordeste brasileiro (Daniel Santiago, Paulo Bruscky, entre muitos outros nomes hoje reconhecidos) uma forma de interlocução com o mundo.
Por isso, a curadora inseriu duas pinturas que trazem um pouco de uma atmosfera mais espessa e sombria, Caribe e Africa, contrapontos necessários para dar conta da inegável densidade dessa produção apesar de um caráter aparentemente etéreo, quase imaterial de algumas telas.