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RUMOR'ROSA

FABIANA PRETI
Ago 10 — Set 12, 2025
Texto: Ana Avelar, Fotos: Filipe Berndt

Fabiana Preti (1979) vive e trabalha em São Paulo.

Sua produção investiga métodos de precisão e rigor formal, fundamentados no ritmo, na intensidade do gesto e na repetição. Iniciou sua pesquisa a partir de investigações sobre a forma e processos de sublimação dos elementos. Há mais de uma década, relações de encaixe, espelhamento, serialização e modulação ocupam um lugar central em sua prática, enquanto o interesse pela materialidade tornou-se progressivamente mais evidente, desdobrando-se entre pintura, gravura, bordado e escultura.

Em seu trabalho, o suporte e a porosidade dos materiais assumem protagonismo em diálogo com estruturas geométricas. A artista acompanha as trajetórias da matéria e investiga as possibilidades sensíveis das tonalidades; nesse exercício de presença, o gesto repetitivo atravessa diferentes linguagens em um estado meditativo, próximo ao transe. Mais do que um procedimento formal, sua prática constitui uma forma de pensar o tempo, o corpo, o espaço e a experiência.

Formada em Desenho Industrial pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Fabiana Preti mantém atualmente seu ateliê na região central de São Paulo. Entre 2015 e 2022, integrou o ateliê coletivo Massapê Projetos.

Realizou as exposições individuais Achego (2023), Arestas (2022) e Ditongo (2019), no Massapê Projetos; Arapuca (2022), no espaço Bomblô; e LuzAzul (2020), na Galeria Thomas Baccaro. Entre as exposições coletivas, destacam-se O Elã da Trama (2026), no Apartamento 61; Shape of Now (2025), na Saatchi Art (plataforma digital); Fresta (2025), na Gruta; Art Cabinet (2025), no Art in Cabinet, Brooklyn, Nova York; Caleindoscópio (2025), no Castelinho do Flamengo (Rio de Janeiro); Ambitude (2025), no Massapê Projetos; Líquen Teso (2024), na Galatea; Vida (2019), no Instituto de Artes da UNESP; Istmo, na Galeria Caribé; e Tardes de Terça, no Centro Histórico e Cultural Mackenzie.

Desde 2016, amplia sua formação por meio de cursos em arte contemporânea e acompanhamento de projetos. Em 2024, participou de uma imersão artística nas Ilhas Canárias.

A mostra reúne obras marcadas por uma geometria sensível e pelo uso da cor rosa como afirmação de uma delicadeza que resiste. Nas pinturas de Fabiana Preti, cores e pinceladas suaves delineiam uma presença que se contrapõe à lógica acelerada e, muitas vezes, violenta da produção imagética contemporânea.

Em sua obra, a suavidade não se apresenta como fragilidade ou recuo, mas como uma força silenciosa capaz de deslocar modos de percepção já cristalizados. Suas composições organizam-se em encontros sutis entre cheios e vazios, nos quais formas geométricas se articulam por encaixes precisos e delicados.

Essas relações evocam, por vezes, a inteligência tátil dos brinquedos de madeira da infância, em que aprender também significava tocar, ajustar, experimentar e construir vínculos espaciais e afetivos. A geometria, em sua prática, deixa de ser um sistema rígido para tornar-se um campo de escuta, aproximação e sensibilidade.

Fabiana Preti propõe, assim, uma pedagogia das formas, na qual a doçura — cromática e formal — atua como potência de transformação subjetiva. Como sugere Anne Dufourmantelle, a suavidade não se opõe à força; trata-se de uma força de outra natureza, capaz de transformar sem violentar. Em seu trabalho, a delicadeza emerge como gesto de resistência diante da dureza dos contornos, das geometrias impositivas e dos regimes visuais que frequentemente organizam nossa experiência do mundo.

VISTAS DA EXPOSIÇÃO

OBRAS

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